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segunda-feira - 09/11/2015 - 09:44h
Alta jogada

Operação para antecipação de royalties ‘anestesia’ Mossoró

Articulação atrai apoio do empresariado, utiliza Santa Luzia e deverá ser aprovado sem problemas

Por formação técnica, o prefeito mossoroense Francisco José Júnior (PSD) é contabilista. Mas um leque de situações mostra que ele tem certa desavença com os números. Pelo menos nos que se referem à Prefeitura de Mossoró; nas suas contas pessoais, não. São outros quinhentos.

Daí, todo cuidado é pouco com a nova cartada do prefeito, que traz à tona uma nova “solucionática” para a gestão municipal, que se afunda em débitos milionários – num nítido quadro de insolvência. A panaceia vendida pelo prefeito é a contratação de serviço de antecipação de royalties do petróleo.

Tudo dentro da lei, que se diga.

O problema não está na lei, mas nos propósitos e no modus operandi. Outra vez, a estratégia mistura ardilosa e nebulosa negociação de bastidores, com uma espécie de ‘democracia impositiva’. Impõe sua vontade e espera garanti-la com o endosso da Câmara Municipal e o silêncio cúmplice do sindicato de servidores (SINDISERPUM), imprensa domesticada, o empresariado e restante da sociedade civil dita organizada de Mossoró.

Quanto aos organismos institucionais de fiscalização… deixa para lá.

A operação antecipação de royalties começou lentamente há alguns meses. Há pouco mais de 50 dias ganhou velocidade, ou mesmo pressa, sob um manto de desinformação e de mistério calculado.

Empresariado é atraído

Além de trabalhar juridicamente o projeto, o prefeito entendeu que precisaria cooptar o empresariado. Daí ter resolvido receber em seu gabinete representantes da Associação Comercial e Industrial de Mossoró (ACIM), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Sindicato do Comércio Varejista (SINDIVAREJO) – veja AQUI. As entidades tinham pedido essa audiência no dia 31 de agosto e só foram recebidas quase dois meses depois. Agora, o prefeito tinha interesse. A audiência, assim, tinha razão de ser.

Prefeito (centro) atraiu entidades que se recusava a receber há quase dois meses (Foto: Raul Pereira)

Com os empresários, a empreitada dos royalties foi levantada por Francisco José Júnior. Até considerou nomear – como sugerido por um dos participantes – representante indicado pelo empresariado para a Secretaria do Desenvolvimento Econômico, bem como priorizar pagamentos em atraso do setor produtivo local. Passado quase um mês, nada.

À semana passada, o prefeito fortaleceu mais a pasta, porém com uma pessoa de sua confiança, o advogado Luiz Antônio Costa, mantido na cadeira.

Noutra frente, negociou com sua bancada o fechamento de questão: tem que aprovar o projeto sem maiores discussões. Assim será. São 16 votos amarrados. Bancada já rejeitou até pedido para apresentação de Plano de Investimento (veja AQUI).

Não para por aí a tessitura desse salto que lançará Mossoró no escuro. Na prática, é como diz uma expressão popular: a gestão do atual prefeito “vai comer na frente, como enxada”, uma montanha de dinheiro que pode passar dos R$ 40 milhões. Isso, num momento de queda na produção do produto. Mais do que um projeto de lei, a matéria tem perfil de plano de pilhagem.

Igreja e Santa Luzia

No plano, nem a Igreja Católica fica fora do ilusionismo. No lançamento da programação da Festa de Santa Luzia, padroeira local, à semana passada, ele prometeu que parte desses recursos vai ser empregada na construção de um santuário em louvor à ela, no cume da Serra Mossoró. Até aqui, é o que tem definido para o dinheiro.

Lá se vão de 12 a 14 milhões de reais para um empreendimento que não tem qualquer relação com o próprio projeto apresentado. Resta saber se a Igreja de Mossoró é a mesma do Papa Francisco, que prega humildade e zelo pelos mais pobres.

Sobre o projeto, nem a bancada governista tem segurança quanto ao seu conteúdo. Não há qualquer detalhamento. A simples apresentação a pegou de surpresa (veja AQUI). No dia em que foi protocolado no Legislativo, um dos membros da bancada governista dizia em plenário que o projeto talvez até fosse encaminhado no próximo ano. Foi surpreendido.

A Prefeitura de Mossoró deve a incontáveis credores, em valores insondáveis. Um exemplo alarmante: a previdência própria, o Previ, são números que hoje passariam de 40 milhões de reais. A fornecedores em geral, incluindo terceirizadas, alugueis de imóveis, veículos etc., são valores que também chegariam a esse montante, ou seja, mais R$ 40 milhões.

Rombo poderá ser maior

As contas do prefeito ficam ainda mais confusas, quando ele fala de redução de custos no seu Governo. Anunciou um Plano Municipal de Enfrentamento à Crise Econômica no mês passado (veja AQUI), para economizar R$ 4,5 milhões por mês. Mas admitiu que o déficit mensal da Municipalidade passaria de R$ 8,5/mês. Ou seja, ainda ficaria um rombo mensal em torno de R$ 4 milhões.

Se esses números do contabilista “Silveira” estiverem corretos, até o final do seu Governo, em dezembro de 2016, a Prefeitura terá mais de R$ 56 milhões de déficit, fora o que já estaria contabilizado até aqui. Vamos somar com o prefeito: 40 milhões, mais 40 milhões e mais 56 milhões. Total que passaria de de R$ 136 milhões de buraco no erário.

Medidas e eleições 2016

O agravante é que o prefeito anunciou medidas com “corte na própria carne” (veja AQUI), na Prefeitura, que no vai-e-vem dos números servem mais como peça de marketing político-eleitora do que como redutores do vermelho. Demitiu pouco mais de 70 cargos comissionados, contudo engordou com gratificações a renda de outros que ficam.

Mossoró – anestesiada – está diante de uma matemática financeira que não é clara porque parece feita para confundir e não para explicar. Também não deve passar despercebido algo de extrema delicadeza: município viverá outro ano eleitoral em 2016.

E quem se lembra o que aconteceu em 2012, tem o direito de imaginar o que podemos esperar para o próximo ano. A Prefeitura de Mossoró é o maior cabo eleitoral do município.

Aguarde mais enfoques sobre o tema.

Bastidores fervem.

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Categoria(s): Política / Reportagem Especial

Comentários

  1. Adílio César diz:

    Parabéns pelo texto! Em especial pelo eufemismo utilizado ao fazer referência àqueles que deveriam representar os servidores públicos.

  2. Inácio Augusto de Almeida diz:

    “Resta saber se a Igreja de Mossoró é a mesma do Papa Francisco, que prega humildade e zelo pelos mais pobres.”
    Zé Buchudinho lê, relê, coça e balança a cabeça. Zé Ruela ri. Eu lembro que aqui existe na Igreja um Padre SÁTIRO e que este é da Igreja do Papa Francisco. Deixo os dois confusos.
    Gente, até quando a IGREJA CATÓLIA APOSTÓLICA ROMANA em Mossoró vai se deixar engabelar por esta promessa de construção de Santuário com dinheiro público?
    Esta conversa mole de que existe interesse turístico na construção do Santuário não convence ninguém. Basta ver o Santuário de FREI DAMIÃO em Guarabira que está praticamente abandonado e coberto pelo mato.
    FREI DAMIÃO está para a Paraíba assim como o PADRE CÍCERO está para o Ceará. Achavam os que despejaram dinheiro no elefante branco que o turismo iria se desenvolver em Guarabira. Caíram do cavalo.
    Falam que Santa Cruz ganhou impulso turístico com investimentos em obras da Igreja. Perguntem aos donos de hotéis e restaurantes de Santa Cruz o que aconteceu. Perguntem? Em Canindé os “turistas” que são atraídos chegam em cima de caminhões e levam suas redes.
    O santuário de Santa Luzia deve ser construído, mas não com recursos públicos e numa época em que trabalhadores terceirizados estão com 4 meses de atraso, faltam medicamentos na rede pública, Merenda Escolar nas escolas nem se fala .
    Zé Buchudinho me pergunta se eu estou acreditando que o prefeito vá usar recursos públicos na construção do Santuário de Santa Luzia. Antes que eu responda, Zé Ruela se dana a rir.
    Você que está lendo este comentário, você acredita que deste dinheiro um só centavo será destinado à construção do Santuário de Santa Luzia?
    Na realidade estão usando a construção do Santuário como ponta de lança nesta tentativa de garfar Mossoró. E vão conseguir. Vão deixar Mossoró totalmente inviabilizada economicamente pelos próximos anos. E sabem por que a pressa deste prefeito em pegar este adiantamento?
    ELE SABE QUE NÃO SE ELEGE. Este prefeito não sabe nem mesmo se vai poder se candidatar.
    Uma coisa ele sabe: CÂMARA APROVARÁ ESTE PROJETO.
    Até quando a Igreja se prestará ao papel de servir de cortina de fumaça para este prefeito?
    ///
    SAL GROSSO VAI PRESCREVER! COMO DIZER AOS NOSSOS FILHOS QUE O CRIME NÃO COMPENSA?

  3. naide maria rosado de souza diz:

    O comentário não é sobre o conteúdo, o que é importante fazer. Mas,os meus dedos insistem em teclar, sob o comando de um cérebro bem humorado. Trata-se da foto. Os homens tentam , salvo algumas exceções, disfarçar o abdome. Truque conhecido…

  4. Antonio Augusto de Sousa diz:

    Eu não tenho culpa!

    Votei em Larissa.

  5. oziel pereira dos santos diz:

    O MENINO BIRRENTO KKKKKK

  6. João Claudio diz:

    Quem come na frente, lá na frente vai sentir falta do que comeu lá atrás.

    Isso acontece até nas mesadas mensais que os pais dão para o filho(a). Adiantou, sifu!

    Anotem.

  7. Inácio Augusto de Almeida diz:

    AS FOTOS FALAM.
    Observem o riso dos ilustres fotografados.
    Dispensável qualuqer outro comentário.
    ///
    SAL GROSSO VAI PRESCREVER! COMO DIZER AOS NOSSOS FILHOS QUE O CRIME NÃO COMPENSA?
    HENRIQUE ALVES VAI MESMO9 CEDER LEGENDA A CONDENADO POR PRÁTICA DE IMPROBIDADE? VAI? ENTÃO NUNCA MAIS FALE EM COMBATER CORRUPÇÃO E DEFENDER A MORALIDADE PÚBLICA.

Trackbacks

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