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domingo - 16/04/2017 - 07:48h

PT e PSDB amavam Odebrecht enquanto fanáticos se odiavam


Por Josias de Souza

PT e PSDB monopolizam as eleições presidenciais no Brasil há mais de duas décadas. Com o passar do tempo, as disputas foram adquirindo um quê de briga de pátio de colégio. Na sucessão de 2014, a coisa descambou. O tucanato dizia que o petismo roubara no mensalão e no petrolão. E o petismo respondia que o tucanato é que assaltara no mensalão mineiro e no escândalo dos trens paulistas.

De repente, os delatores da Odebrecht esclarecem que os dois lados têm razão. E os torcedores fanáticos, que pareciam dispostos a matar e morrer por uma honra inexistente, percebem que fizeram papel de bobos. Não sabem onde enfiar o ódio que estocaram para alimentar suas lacraias interiores.

Há dois anos e meio, quando Dilma foi reeleita, Aécio era o principal líder da oposição e Lula se jactava de ter dado à luz um poste pela segunda vez —algo nunca antes visto na história do país. Hoje, Dilma é matéria-prima para Sergio Moro, Aécio divide com o notório Jucá o título de campeão de inquéritos da lista de Fachin e Lula nunca esteve tão próximo da cadeia.

Legenda de um líder só, o PT está no brejo sem cachorro. Com Alckmin e Serra no mesmo pântano, o PSDB ficou num mato com João Doria. O tucanato, incorporado ao governo de Michel Temer, virou força auxiliar de um apodrecido PMDB. O PT, devolvido à oposição, derrete como sorvete exposto ao sol.

A lição primeira da hecatombe produzida pela colaboração da Odebrecht deveria ser a de que todas as premissas sobre as quais o eleitor brasileiro construiu as suas ilusões políticas depois da redemocratização do país precisam no mínimo pegar um pouco de ar. Para que o desastre servisse de aprendizado, seria preciso que os brasileiros se convencessem de que a industrialização do ódio pior do que uma sandice, é um erro. A maluquice se apaga com o esquecimento. O erro exige reflexão e correção.

Enquanto os fanáticos se odiavam em praça pública —ou nas redes sociais, que muitos acreditam ser a mesma coisa— petistas e tucanos amavam a Odebrecht no escurinho do departamento de propina da empreiteira. Parte da torcida ainda tenta fechar os olhos para a realidade. Mas está cada vez mais difícil.

Os 78 delatores da Odebrecht azucrinam os fanáticos em toda parte. Eles estão na tevê, no rádio, na internet, no jornal, na revista…. E não adianta ignorar o noticiário. A voz de Marcelo Odebrecht pode invadir o grupo da família no aplicativo do celular, exigindo uma reação do fanático. Pode ser uma cara de nojo.

Há também a opção de continuar enxergando a democracia como o regime em que as pessoas têm ampla e irrestrita liberdade para exercitar a sua capacidade de fazer besteiras por conta própria, tratando a eleição como uma loteria sem prêmio e encarando o voto como um equívoco que pode ser renovado de quatro em quatro anos.

De resto, aqueles que preferem odiar alguém a amar o país, podem odiar-se a si próprios. Como diria Nelson Rodrigues, um dia o sujeito acaba arrancando a própria carótida e chupando o próprio sangue, como um vampiro de si mesmo.

Josias de Souza é jornalista do portal UOL e do Folha de São Paulo

Categoria(s): Artigo / Política

Comentários

  1. jb diz:

    Com todo espectro político – da Direita à Esquerda – alcançado pela lava-jato não se admire se algum parlamentar apresentar um projeto de lei cujo único artigo tem este teor:”O melhor caminho para uma desculpabilização universal é chegar à conclusão de que, porque toda a gente tem culpas, ninguém é culpado.”José Saramago, em ‘O Homem Duplicado’
    E por falar em PT e PSDB lembrei disto:UM POVO RESIGNADO E DOIS PARTIDOS SEM IDEAIS

    “Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]

    Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

    A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

    Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.”
    Guerra Junqueiro, in ‘Pátria (1896)’

  2. João Claudio diz:

    Ainda há quem ameace puxar arma para defender os bandidos KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

    Ainda há quem chame os bandidos de vossas excelências, de líder maior, de coração valente, ”estadista” JKKKKKKKKKKKK

    Fazer o quê se nem todo ser humano é perfeito?????

  3. ANTONIO ERALDO CARLOS GONCALVES diz:

    Lendo esse artigo hoje me veio a lembrança dos seus artigos sobre a nossa província, ou seja, muda só de lugar, porém, o modus operandi é o mesmo.

  4. João Claudio diz:

    JB, qual o partido politico brasileiro que tem outras ideias além da ideia de ”se arrumá” às custas do suor do trabalhador?

    Homi, não há diferença entre partido politico e sindicato. São farinhas do mesmo saco.

    Pelo que me consta, as ideias do partido politico que recebe milhões de reais sem que tenha obrigação de prestar contas a ninguém, é fazer o ”pé de meia” para nunca mais largar a teta. Ou seja, tão logo termine a apuração de uma eleição, eles já estão de olho na outra para não perder a teta. O povo fica em segundo plano, que se lasque.

    Você acha que um politico que recebe salario de 30, 40, 50 mil reais a cada 30 dias + mordomias está preocupado com o povo, ou com o voto do povo que pode reelege-lo na próxima eleição? Ele está pensando no desenvolvimento do país, ou no lucro dos seus investimentos? Ele não consegue dormir durante a noite, porque milhões de brasileiros estão desempregados, ou porque está fazendo planos com a família até tarde da noite para fazer aquele tour pela Europa durante o recesso?

    Ah, ele fica louco, coça a cabeça, franze a testa e começa a andar de ”busão” quando acontece aumento de preço dos combustíveis, né?

    Por falar em partido, todos eles tinham suas alcunhas na Odebrecth.

    O PT era Flamengo e o PSDB era o Corinthians.

    Ah, Atlético Mineiro era a alcunha daquele partido que dizem ser ”ético”: P$OL.

    Precisa dizer que o ”Flamengo” ganhou de todos??? Precisa????

    Gooooooooooooollll do Petêêêêêêêêêêêêêêêê…………..

    ♫ É campeão paran pan pan

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