domingo - 10/12/2017 - 07:26h

A maldição da escrita


Por François Silvestre

Ou a “dura escritura” a que se referia Clarice Lispector. É certo que ninguém, do ramo de mesmo, escapa impune dessa maldição.

Tranquilizem-se os que fazem da escrita apenas um exercício de redação, principalmente na internet, onde todas as línguas são maceradas pelas penas infames dos redatores de shoppings. Não serão alcançados pela maldição.

Aliás, nesse caso a maldição atinge o leitor. O coitado pune os olhos e ainda maltrata a escassa instrução. São leitores de copistas que nem sabem de onde vem o palimpsesto. Nem pra onde vai.

Mas essa não é a maldição de que trata o presente texto. Aqui eu quero cuidar da real escrita, maldita e carcereira que mantém sob cadeados os que a usaram ao longo da vida sem perceber que é ela a usá-los e não o contrário.

E quando percebem, já nada podem fazer. Apenas esperneiam, deprimidos e angustiados. Sentindo os grilhões que lhes aprisionam o juízo.

Foi assim com Manoel de Barros. Poeta da desfeitura, do desaprender para atingir o miolo do desconhecimento. Da inutilidade mais útil do que todas as utilidades práticas. Essa inutilidade a que se refere Kerubino Procópio, como exercício do envelhecer.

E o castigo foi a morte do riso do poeta, ainda em vida. Abatido pela depressão que não perdoa nem a poesia.

Com Câmara Cascudo. Escreveu mais livros do que os leitores que tem. Escreveu mais do que a maioria lê durante toda a vida. Também viveu, e o fez intensamente. Mas não se livrou da maldição, ao pronunciar uma única vez a amargura provinciana. “Não consagra nem desconsagra”…

Com José Lins do Rego. Sua escrita é a tentativa frustrada de espantar o fantasma de um garoto a cuja morte lhe deu causa.

Com Ariano Suassuna. A tragédia que abateu sua família, quando um parente seu matou João Pessoa. E o resultado mais brutal foi o assassinato do próprio pai. Diniz Quaderna, d’A pedra do Reino, confirma o revelado. Que nem Sinésio, o alumioso, conseguiu alumiar.

Com Guimarães Rosa, o “reacionário da palavra”, a feitura nova da frase. “Pela fraqueza do meu medo e pela força do meu ódio, acho que fui o primeiro que cri”. Premonitor da própria treva.

Com Drummond de Andrade. A poesia mais chafurdada por críticos e acadêmicos. O esplendor poético na pele de um funcionário tímido, da burocracia oficial.

Com João Cabral de Melo Neto. A poesia de pedra a ser jogada secamente na cara dos sentimentos, para negá-los. E a rendição final, ante a fraqueza física que não se nivelou à fortaleza poética.

Com Mário de Andrade. Angústia antropofágica e partida precoce. As letras e a música modelaram a maldição íntima de um homem além do tempo. “No Pátio do Colégio, afundem meu coração”.

Com Clarice Lispector. “Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome”. A dor invisível do próximo instante desconhecido. Ou presentemente visível. Em Manoel Bandeira, Oswaldo Lamartine, Zila Mamede, Augusto dos Anjos. Nenhum anjo.

E assim é com quem paga o preço dessa maldição. Da palavra escrita com jeito novo, mesmo sendo palavra velha. Do espanto que causa a cópula das palavras a embuchar a frase e parir o rebento.

Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 08/12/2017 - 18:48h
É?

Viva! A inflação baixou


Por François Silvestre

A inflação baixou? É o que diz o poder.

Vejamos: A gasolina subiu, o etanol subiu, o gás de cozinha subiu, a carne de primeira subiu, a de segunda também, o frango subiu, o arroz branco subiu, o arroz roxo também, o macarrão subiu, o açúcar subiu, a cerveja subiu, o vinho também, o queijo subiu, o iogurte também, o leite subiu, o café também.

O transporte subiu, os serviços também.

O aluguel subiu, as temporadas também.

O que baixou?

Os pegadores de roupa baixaram, os pentes Flamengo também. Saco de estopa baixou, arame farpado baixou, mourão de cerca também.

Saco de açúcar pra fazer lençol baixou, chita pra saia baixou, tomada elétrica antiga baixou, lâmpada incandescente baixou, pito de bicicleta baixou, catraca também.

Vergonha na cara tá bem baratinha…Por isso a inflação baixou!

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Categoria(s): Artigo
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quarta-feira - 06/12/2017 - 15:34h
Opinião

A pressa dos mancos


Por François Silvestre

Estudos de alguns especialistas informam que em 2050 a previdência social estará falida, dada a crescente média de vida do brasileiro. Não se pode negar que é preciso reformar a previdência. A questão é quando se deve fazer isso.

Há tempo suficiente para que essa reforma seja feita após o esgotamento de todas as dúvidas. Ou a maioria dessas dúvidas.

Um governo não legitimado nas urnas e um congresso moralmente rasteiro não possuem legitimidade para reformar coisa alguma, muito menos a previdência social, que sustenta a vida de enfermos e aposentados.

Falta apenas um ano para que esse problema seja resolvido. Governo e congresso eleitos com essa legitimidade.

Se forem os mesmos, não se poderá reclamar. Terá sido vontade do povo.

Pra que a pressa desses mancos morais?

Sabe do que se trata?

De muita grana envolvida nessa coisa estranha.

Grana de corporações empresarias para comprar o governo e grana do governo para comprar deputados e governos estaduais falidos.

É disso que se trata!

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Categoria(s): Administração Pública / Artigo / Opinião
domingo - 03/12/2017 - 08:28h

A crise educa


Por François Silvestre

Não é fácil conviver com a crise. Nem com a seca. Nem com a escassez. E menos ainda com a “ética” dos métodos, banquete de hipocrisia. Pra cada sujeira apontada no quintal vizinho, um charco de lama na própria soleira.

Já houve quem sustentasse não ser pessimista para não parecer chato; nem otimista, para não parecer bobo. E chegou a inventar o realismo consciente. A moderação na crença e a tolerância no descrédito.

O candidato contamina-se de otimismo para convencer o eleitor a segui-lo. E ao eleitor é oferecido um pacto de entusiasmo. E a surrada promessa de mudança. E ambos fingem. Cada um no seu botão.

O eleitor se faz de besta e oferece o bolso bobo para receber a prebenda do esperto. O eleitor sabe que seu voto é uma mercadoria e o candidato intui que o comprado e pago não comporta cobrança.

Mesmo assim e talvez por isso mesmo a crise seja um rompimento de trevas. Uma lanterna a clarear no quarto escuro. Um puxão de orelhas da realidade. A crise institucional escancara-se. Mais grave do que a econômica. A economia se arruma. Instituições sem crédito não se recuperam. Só com nova ordem.

Nem a Democracia é plena nem o voto é livre. Fosse livre, o voto não seria obrigatório. Tanto a Esquerda quanto a Direita defendem o voto obrigatório. Por quê? A Direita sabe que o voto livre seria muito mais caro. E a esquerda sabe que o voto voluntário seria muito mais exigente.

A Direita precisaria de mais grana para arrancar alguém de casa e a Esquerda precisaria revisar a baboseira sofista para convencer o eleitor desobrigado de votar. O voto obrigatório é democracia de curral.

A crise rasga a mentira. O discurso, a liberdade do voto, a promessa, a propaganda, os debates ocos, a mídia venal, a fiscalização de fachada. Esse é o útero onde se fecunda o óvulo do embuste e nasce feto da crise.

Os candidatos são espermatozoides. O eleitorado é o óvulo maduro a esperá-los, no cérvix da urna. No ovário, eles se encontram. Após a caminhada difícil que veio do gozo, enfrentando cada um a hostilidade da militância inimiga.

E a conquista? O candidato excitado penetra o cio da militância. Os lados oponentes abrem as pernas do povo, no berço esplêndido. E há o coito. O resultado do coito é o coitado.

Reina o Estado Cérbero, falido, e suas castas famintas de privilégios e empanzinadas de hipocrisia.

E a seca? Apenas “uma eterna e monótona novidade”, como disse Cunha, o Euclides. Eterna porque sempre existiu. Monótona porque vem em ciclos. E novidade porque nunca nos preparamos para seu retorno inevitável.

De todo modo a crise educa, seja no aprendizado ou na reflexão.

Nas trevas descobrimos o valor da luz; na retirada, recuperamos a memória do torrão. E no aperreio valorizamos a pobreza da posse precária. A dignidade da posse legítima, que não seja esmola. Té mais.

François Silvestre é escritor

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quinta-feira - 30/11/2017 - 21:14h
RN

O defeso do caos


Por François Silvestre

Ouvido num fórum da região. A bandidagem organizada estabeleceu um rodízio do defeso. O que é isso?

O defeso é uma proteção da fauna da terra e das águas para evitar a extinção dos frutos da caça e da pesca. Não se pesca no tempo da desova, nem se caça no período da prenhez.

O que tem a bandidagem a ver com isso?

Explica-se.

Eles perceberam que o assalto constante nos mesmos lugares estava escasseando a “renda” dos roubos. Bancos sem abastecer Caixas Eletrônicos, Correios sem receber pagamentos, lojas fechando as portas.

Bolaram o defeso.

Aquela cidade foi foi assaltada recentemente fica em quarentena por um bom tempo. Sem ser molestada. Até que o Banco reabasteça regularmente, Correios voltem ao movimento financeiro e os logistas se esqueçam do último ataque. T&aacute ; assim.

Ao lado, havia um Cabo da Polícia. Perguntado sobre a situação da sua Delegacia, respondeu: “Num tem dinheiro nem pra comprar uma espingarda de soca”.

Baixe o pano.

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Categoria(s): Artigo / Segurança Pública/Polícia
quarta-feira - 29/11/2017 - 08:12h
Desabafo

A tabuada robinoquiana


Por François Silvestre

Não recebi um centavo do salário de Outubro, que deveria ter sido pago no último dia daquele mês. Não recebi um centavo do salário de Novembro, que termina amanhã.

Agora, eu pergunto à “governança inovadora”, qual é a tabuada que me desmente? São ou não são dois meses de atraso?

Ganho um salário bem acima da média do trabalhador brasileiro, reconheço, mas abaixo do teto constitucional. Só passa do teto quando nos terços de férias ou no mês de Dezembro. Isto é, quando havia governos, não velhacos.

Sou lotado na Regional de Pau dos Ferros, que cobre dez Comarcas. De São Miguel, Luiz Gomes, Alexandria, Marcelino Vieira, Pau dos Ferros, Martins, Portalegre, Almino Afonso, Umarizal e Patu.

Faço audiências defendendo o Estado inadimplente, por má gestão, viajando no meu carro e sendo meu próprio motorista.

Subindo e descendo serras.

Não conheço, por dentro, o carro oficial que presta serviço àquela regional. O atual ou os antigos. Basta perguntar aos servidores de lá.

O Estado nunca me deu um copo de gasolina. É uma atividade de risco, viajar muitas vezes quase à noite, em estradas mal cuidadas e segurança abandonada.

Raramente encontro um carro da polícia. A não ser nas blitz esporádicas de Pau dos Ferros.

E esse governo, por seus lacaios, tem a desfaçatez de querer alterar a tabuada.

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Categoria(s): Artigo
segunda-feira - 27/11/2017 - 20:18h
Opinião

A superioridade da ignorância


Por François Silvestre

Os nazistas sul-americanos, se tivessem algum conhecimento de História, deveriam saber que nós daqui éramos e somos considerados “raça inferior” para os nazistas originais.

Assim como eram considerados os negros, judeus, homossexuais, deficientes físicos ou mentais. Até os japoneses, seus aliados eventuais, eram aceitos como companheiros de luta, mas não reconhecidos como igualdade humana. Também considerados “raça inferior”.

Basta estudar um pouco para não ser mente inferior.

Somos uma única raça, a raça humana.

Mas enquanto formos racistas, somos sub-humanos.

Todos nós, nazistas ou anti-nazistas.

A ignorância nos faz inferiores, uns aos outros, sem superioridade; a não ser a superioridade da própria ignorância.

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Categoria(s): Artigo / Opinião
domingo - 19/11/2017 - 08:46h

A roda dos pavões


Por François Silvestre

Ou a vida na política. Impossível nas relações da vida a ausência da política. Posto que sua interferência na convivência humana independe da nossa vontade.

Assim ocorre na fisiologia orgânica, cujas necessidades estimuladas, manifestadas na vontade, fogem do nosso controle; tanto na intensidade quanto no momento escolhido pelo organismo. Inclusive o impulso sexual, que não é escolha ou opção.

É bem verdade que aqui não se fala de política estritamente eleitoral, partidária ou participativa. Essa sim, pode ser descartada pela vontade ou enfado. Porém, a política, no sentido amplo do conviver familiar ou social, está presente de forma tão indispensável que nem notamos. Da mesma forma que não percebemos o ar ao respirarmos. Só sentimos sua falta no afogamento ou na asma.

Politizar-se é uma forma de aprimoramento da dignidade. Seja pela participação ostensiva ou pelo simples observar conscientemente. E essa observação consciente se dá pela crítica.

A crítica é o mecanismo instrutivo que liberta. Da lição de Karl Marx: “A crítica não pretende enfeitar as grades, com flores, para atenuar o cárcere. Mas quebrá-las, para a colheita da flor viva”. Inclusive para quebrar amarras ideológicas. Marx não era marxista. Da mesma forma que Cristo não era cristão.

O que tem produzido certo enfado, ou até mesmo asco, com a prática política é a deformação do seu exercício, piorada a cada pleito. De tal forma que leva suas consequências ao embate primitivo das campanhas. Nesse teatro onde viramos ancestrais dos símios. De moderno, só o jogo das moedas.

Torcidas organizadas de times de pernas-de-pau. O que garante à demagogia a dominação do mando. E asseguram aos inquilinos dos palácios um atestado de quase usucapião.

Mesmo estando presente em tudo a política não é ciência. Colega do Direito, no campo da arte/técnica. Para que um conjunto cognitivo se configure ciência é imprescindível a presença de Leis. O que há na matemática, física, química, biologia.

No Direito e na Política não há Leis. Há normas. A Política produz normas e o Direito as aplica. É uma impropriedade semântica a expressão “cientista político”. É comentarista de política. A sociologia não é ciência; não há Leis nas relações sociais e humanas. Só normas, jurídicas ou consuetudinárias.

Há uma linha tênue e invisível que une a política à literatura. Toda ela no campo da ficção. Poucos romancistas conseguem inventar roteiros tortuosos e falsos quanto os políticos. Se bem que estes estão mais para mentirosos do que ficcionistas.

É raro o país que consegue o milagre brasileiro de sobreviver à instabilidade institucional. Onde a vaidade dos membros das instituições as reduz ao tamanho do ridículo individual.

Quanto maior o ego dos componentes, menor a eficiência da instituição. Para essa gente, a exigência de impessoalidade, na Carta Magna, só serve para o povão. Não se aplica aos pavões.

Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
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domingo - 12/11/2017 - 07:24h

Ilusão emergente


Por François Silvestre

Não faz muito tempo corria mundo uma informação de que o Brasil estava incluído no rol dos emergentes, com amplas chances de virar potência econômica. Com a descoberta do pré-sal, substituiu-se a demagogia do biocombustível pela mentira da autossuficiência energética.

É bem verdade que não se chegou à ingenuidade de incluir o Brasil entre os países de níveis sociais aceitáveis. Seríamos uma potência econômica, com desigualdades sociais ao modelo quase haitiano. O emergente, hoje, é o Paraguai.

Dentre outros emergentes, caso da Rússia, África do Sul e Índia, o quadro não é tão diferente. Exclui-se a China pelos motivos especialíssimos que cercam aquele mundão de riqueza e miséria habitando o mesmo espaço.

A China fica fora dessa comparação exatamente por ser incomparável. Uma ditadura de casta estatal, indevidamente chamada de comunista, praticante do capitalismo de Estado. Usando mão de obra sub-humana, de baixo custo, enquanto empanturra o mundo com produtos baratos e de qualidade duvidosa.

A Rússia, que saltou do feudalismo para o bolchevismo de 1917, sem esgotar as fronteiras do próprio feudalismo nem iniciar as relações capitalistas, da previsão de Marx sobre o processo revolucionário de superação dos sistemas econômicos, vive a incerteza de uma economia frágil numa democracia de faz de conta. Saltou etapas, patina nas patas. Potência militar, ainda da herança soviética. Tão corrupta e corruptora quando o Pindorama de frei Coimbra.

O Brasil, semelhante na euforia emergente, difere bastante da China e da Rússia. Não tem um mercado internacional de trocas sequer próximo ao da China, nem a influência política da Rússia.

Levamos algumas vantagens internas. Somos uma democracia consolidada; ingênua e marota, esperta e bocó, mentirosa e corrupta, mas formalmente livre. Só formalmente. Materialmente, ainda estamos longe da liberdade. E a ética, por aqui, é o paraíso dos privilégios. Castas polpudas, à tripa forra, a escarnecerem da miséria reinante.

Não se pode chamar de liberdade material uma realidade onde o poder público não tem autoridade sequer para combater criminosos comuns. Um aparato caríssimo dos poderes constituídos e seus agregados, perdidos na escuridão, no meio de uma briga de foice e bala. Os órgãos de controle só controlam os próprios privilégios.

O poder público vai de foice e a bandidagem de metralhadora. Tráfico de drogas e armas às escâncaras, sem política de prevenção. E a repressão ineficiente.

Pois bem. De emergente para a emergência. O Produto Interno Bruto empacou, encruado na estagnação. Inflação diária. Liberdades públicas só na Lei, sem alcançarem as ruas e as casas.

Potência? Só se o resto do lado rico do mundo empobrecer, chegando a nós.

Demagogia e mentira armam a tenda e se aboletam no poder. Mentem governo e oposição.  A atividade política regrediu no caráter e prosperou no embuste.

Economia, sem rumo.

Segurança pública, um terror. Saúde pública, um tumor. Educação pública, uma lástima. Creio no futuro do Brasil, por ele mesmo, mas não confundo esperança com ingenuidade ou fanatismo.

Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
sábado - 11/11/2017 - 09:18h
Vazio

Afastar de quê?


Por François Silvestre

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido do Ministério Público Federal (MPF) para afastar das funções o governador Robinson Faria (PSD). Agiu corretamente.

Primeiro, porque o MP é pródigo em pedidos e recomendações sem fundamentação legal. Segundo, porque não se afasta quem já está afastado.

Isso me leva à memória de um episódio de ocupação de uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL). Era para ocupar a cadeira de Rui Barbosa.

Um grupo de acadêmicos defendia a tese de que a cadeira de Rui deveria ficar vazia. Outro grupo, vitorioso, discordou e elegeu Osvaldo Orico para ocupar a cadeira.

Agripino Grieco, crítico literário, escreveu: “Nessa disputa, os dois grupos venceram. Os que queriam um acadêmico ali sentado, conseguiram. E os que queriam a cadeira vaga, também”.

O STJ agiu dentro da avaliação do ilustre crítico.

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Categoria(s): Opinião
domingo - 05/11/2017 - 09:57h

Diálogo atual


Por François Silvestre

- E aí, tudo bem?

- Tudo.

- Como ficou acertado, sobre a parte dele?

- Dois milhões. Informe que não foi possível conseguir mais, pois sempre aparece algum indispensável, que entra no bolo. Mas ele é prioridade.

Tudo bem. É cobra criada, sabe das coisas. Mas é cismado, principalmente com essa onda de gente caindo pra todo lado. Como ele mesmo diz, uns caem outros se levantam.

- Ele tá certo. A primeira regra de segurança é não usar telefone. Nem computador. E-mails nem pensar. Tudo tem de ser no boca a boca, onde não haja câmaras ou “vizinhos” nas mesas. Os melhores lugares são Churrascarias ou shoppings. Restaurante fino é um perigo, tá assim de olho gordo.

- Por falar nisso, e aquele promotor que é seu amigo?

- Gente boa. Um Mané, honesto. Não me arrisco com ele.

- Também pudera! As mumunhas legais lhe bastam.

- Pois é. Ele cuida do que lhe dá notícia de jornal.

-  Que continue assim.

- Você precisa ver aquelas certidões que lhe pedi. Mas não me leve nem no escritório nem na minha casa. Muito menos aqui.

- Onde?

- No cinema do shopping.  Sábado. Movimentado e tranquilo.

- Pode deixar. Tô só acertando com o rapaz do cartório, que também quer o dele logo.

- Tudo bem. Adiante o dele. Cuidado pra não escapar nomes.

- E o Deputado?

- Xii. Quer aquele prefeito na jogada. Mas pra ele só apoio e votos, dispensou a grana.

- Gente boa.

- De rocha.

- Ele também perguntou sobre a licitação.

-Tá tudo em cima. Por isso preciso que você adiante esses últimos documentos. Edital pronto, números assegurados.

- Até nos centavos?

- Claro. Milhões, milhares, unidades e centavos. Tudo anotado na placa, bonitinha, em frente da obra. Depois, vêm os aditamentos. O importante é ganhar na saída.

- Licitação é uma festa. Num se garante centavos nem em reforma de um banheiro…

- Isso num é problema nosso. Vamos cumprir a Lei, fazer a licitação e resolver tudo legalmente.

- E se der errado, e for descoberto?

- Bem…aí tem a saída da delação. Joga-se a culpa nos Manés, devolve uma parte e esconde o resto. Quando tudo cair no vazio, fica pelo menos uma boa parte.

- Tem sido assim mesmo, né?

- Vai pedir o quê?

- Escalopinhos de filé ao molho de Champion. E você?

- Vou pedir uma massa. Ei, garçom! Por favor…

O garçom: “Pois não, doutores. Como vão as doutoras”?

- Vão bem. Me traz o cardápio.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Crônica
segunda-feira - 30/10/2017 - 20:12h
Ricardo Coutinho

Um grande governador


Por François Silvestre

O governador conhece o seu Estado. Conhece o seu governo e é ele quem manda e decide. Não manda secretário ou secretária fazer reunião com sindicatos ou servidores. Não manda secretário ou secretária, de área não especializada, visitar e “resolver” problemas de presídios.

Ricardo Coutinho, governador da Paraíba (Foto: Web)

Não empurra seu Vice para entregar projetos malucos à Assembleia e depois recua, pegando a sujeira de volta.

Não é desmentido pelos auxiliares “técnicos”, que declaram ser o governador desinformado.

Não combina entrevista com repórter, acertando assuntos e perguntas.

Paga salários em dia.

Cumpre a Constituição do seu Estado, sem mentiras ou desculpas para descumpri-la.

Mantém os serviços básicos funcionando.

Produz obras de infraestrutura.

Não faz demagogia com esmolas alimentares num ou noutro município, enquanto o resto do Estado passa aperto, sem salários e sem segurança.

Nunca se declarou especialista em nada.

É especialista em vontade política e cumpre o que prometeu.

O nome dele?

Ricardo Coutinho, Governador da Paraíba.

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Categoria(s): Administração Pública / Opinião
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domingo - 29/10/2017 - 09:19h

A linguagem de cada tempo


Por François Silvestre

“Cessem do sábio Grego e do Troiano/ as navegações grandes que fizeram;/ Cale-se de Alexandre e de Trajano/ A fama das vitórias que tiveram;/ Que eu canto o peito ilustre Lusitano,/ A quem Netuno e Marte obedeceram:/ Cesse tudo o que a Musa antiga canta,/ Que outro valor mais alto se alevanta”.

Camões inicia duas aventuras épicas. A intencional: de responder a Homero que fincara nos versos a aventura dos gregos e a Virgílio, que cumprira papel semelhante na origem da aventura latina.

A segunda não foi intencional: estruturar o esqueleto de um idioma. A “última flor do Lácio, inculta e bela”; do dizer de Bilac. Que responderia à pergunta do tempo: “ora direis ouvir estrelas”.

Era o português uma algaravia, desde 1139, (Sec. XII) que se confundia com o galego, a linguagem da Galícia. Ganhou contorno morfológico com a obra teatral de Gil Vicente e o Cancioneiro de Garcia de Resende, (Sec. XV). Porém, foi a épica camoniana (Sec. XVI) que teve o mérito de criar o arcabouço sintático da língua que nos define.

Os Lusíadas, muito mais do que a louvação heróica das aventuras marítimas, é uma fábrica de metáforas. O forno que modelou uma forma de compor versos, na língua nascente.

A metáfora consegue remodelar o conteúdo opaco para fazê-lo brilhante, na forma recriada. Não fosse ela, a poesia seria apenas uma repetida composição de rimas. Sonoridade vocálica, pobreza poética.

A rima, nos Lusíadas, é pobre. Combinando mais das vezes desinências verbais. A metáfora, não. E é delas que ele tira a tintura dos versos para engrandecer pequenos atos. Ao dar-lhes feição maior do que o gesto.

A aventura grandiosa da circunavegação Lusitana vai se desenrolando ao apelo metonímico da mitologia. Com a cumplicidade de Vênus e Marte, sofrendo a oposição de Baco e Netuno.

A metáfora produz poesia. Ela é a rainha das figuras na composição do estilo. Dando nós onde há linha lisa e alinhando a linha onde há nós. Mesmo que seja poesia de pedra, rústica ou polida. Afagando o ouvido ou a leitura.

Dante, Shakespeare, Neruda degustaram metáforas. E deram vida à poesia nossa de cada dia. O resto não é resto, é metáfora do que resta da sobra. Onde se escondem os verbos nos porões da zeugma ou se omitem os nomes, nos escaninhos da elipse.

Aí não se pode esquecer a política nossa de cada noite. No Brasil de hoje, só a língua, mesmo maltratada, ampara a Pátria.

Só que a metáfora na política é a tentativa de esconder a verdade, muitas vezes feia, para vender a mentira falsamente bela. E o povo, metáfora da abstração, deixa-se enganar concretamente na mesma cumplicidade da metafórica democracia de faz de conta.

Na circunavegação da falsidade, institucionalmente estabelecida, senhora dos poderes e controles, o embuste ético humilha a língua de Camões. Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Poesia
quinta-feira - 26/10/2017 - 20:10h
STF

Roupa suja sem sabão


Por François Silvestre

A discussão de hoje entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Roberto Barroso e Gilmar Mendes prova escancaradamente a falência institucional decorrente da apodrecida ordem constitucional cortesã.

Cidadã de merda nenhuma.

O Brasil virou uma zorra institucional.

Só não vê quem é cego ou beneficiário da patifaria. O bordel escancara as portas. Entrada franca.

Basta mostrar a marca de cinza na testa de quem anunciou nas ruas, acompanhando o palhaço, o espetáculo da noite.

“Hoje tem espetáculo”?

“Tem sim senhor”!

Nota do Blog – O STF virou “puxadinho” do Congresso Nacional. É também uma “latada” do Executivo.

Nem poder é. Foi, talvez. Perguntem a Aécio Neves.

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Categoria(s): Opinião
quarta-feira - 25/10/2017 - 15:08h
Robinson Faria

O não governo


Por François Silvestre

Há governos bons, governos ruins, governos péssimos. Abaixo dessa linha há o pior dos péssimos, o não governo.

É o que temos.

Wilma de Faria fez um bom governo, no primeiro mandato. Tanto é verdade que, ao fim desse governo, foi desgastada pela chuva ácida do Foliaduto.

Coisa escrota produzida no porão da Casa Civil, sob o comando do seu irmão, com a cumplicidade de servidores comissionados da Fundação José Augusto. Mesmo assim, conseguiu reeleger-se contra o imbatível Garibaldi Alves.

Julgada positivamente pelo governo que fizera.

Foi ao segundo mandato.

Depois, sem Foliaduto e com a edificação da Ponte Newton Navarro, perdeu duas eleições majoritárias seguidas.

Foi julgada negativamente pelo segundo governo que fizera.

De seus auxiliares, nos dois governos, vários se acomodaram no governo Rosalba, que ganhou por causa do segundo governo Wilma. E muitos deles se aboletaram no governo Robinson, após a falência do governo Rosalba.

Estão aí.

São os pecados velhos prometendo catarse nova. Purgação de quê? Deles, nada.

O purgatório é do povo.

O governo Robinson não é ruim ou péssimo.

É um não governo.

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Categoria(s): Opinião
domingo - 22/10/2017 - 09:02h

Repetir à exaustão


Por François Silvestre

Dizia Samuel Johnson que o patriotismo era “o último refúgio dos canalhas”. Ele não se referia ao sentimento de amor à pátria. Não. Cuidava da conceituação de um partido político da sua época, que trazia no nome a adjetivação de “patriota”.

Assim como trazem nos seus nomes, os partidos de hoje, tudo que é adjetivo bonito e vazio. Democrata, trabalhista, liberal, social, solidário, sustentável, socialista, comunista, progressista, humanista, feminino, urbano e mais uma penca de outros belos adjetivos.

Esse é o patriotismo partidário. Miçangueiro, daquelas quinquilharias que os mascates, montados em mulas, vindos do Oriente Médio, vendiam de porta em porta pelos grotões do sertão nordestino.

Libaneses e sírios, principalmente, com seu português enviesado, oferecendo sedas “legítimas”, espelhos floridos, perfumes “franceses”, brinquedos estranhos, pulseiras brilhosas, toalhas frondosas, lenços lisinhos, blusas de linho.

A chegada do mascate era esperada com economias guardadas no funda da mala. Num baú de recanto. Ou num canto escondido. A festa do consumo, que sempre acompanhou os sonhos do homem.

Era essa uma miçangagem saudável. Num acerto de contas sem contas de contrato. Num tempo de ingenuidade, perdido nas locas da história.

Mas não é disso que trata o presente texto. Trata de miçanga, sim. Mas de uma miçanga ruinosa, politiqueira e desonesta. A miçanga democrática do Brasil.

A quem interessa mudar esse quadro? Aos privilegiados? Aos miçangueiros? Às castas e suas corporações? Claro que não. Do jeito que está assim ficará. Reformas de meia-sola, discurso de enganação.

Tanto dos privilégios advindos das eleições, gambiarras democráticas, quanto dos privilégios adquiridos por concursos públicos, previamente selecionados entre membros das mesmas castas. E ainda há o grupo dos indicados, que assumem funções de remunerações astronômicas, com o viés da vitaliciedade.

Quem quer reformar? Se houver modificação estrutural, profunda, institucional e política, por uma Constituinte para esse fim, os seus privilégios perderão a razão de ser.

E o patriotismo deles, com fulcro nos seus privilégios, permitirá revisão da bagunça? Sem corrupção sistêmica não haverá necessidade de vender “controle”, caríssimo à burra do povo. Sem bagunça institucional, cessam privilégios.

Começa-se a ouvir vozes isoladas a falar em Constituinte Exclusiva e Originária. Assunto de que trato há mais de cinco anos. É a cruz que assombra as castas, santificadas de satanismo. Castas, poderes e subpoderes.

Em lugar de “operações” repressivas, sem controle real, o país precisa de cirurgia institucional. Erradicação tumoral, sem poupar tecidos infectados. A Constituição de 1988 esgotou-se no esgarçamento do próprio tecido, costurado com retalhos de corporativismo e demagogia.

A cruz do povo a assombrá-los é a Constituinte Originária. Sem vassalagem à ordem apodrecida de hoje. Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
quarta-feira - 18/10/2017 - 19:08h
Opinião

Inveja e falta de autoridade


Por François Silvestre

O Governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (lá tem Governo!), disse que seu estado está fazendo inveja a muitos Estados mais ricos. É verdade.

Inveja dos mais ricos e despeito de vizinhos, caso do Rio Grande do Norte, miseravelmente mais pobre de governo do que de finanças.

Agora mesmo, dá na mídia que o governador daqui viajou e encarregou seu vice a mais um serviço sujo; qual seja, encaminhar projeto de Lei penalizando servidores públicos.

Esse governo não tem autoridade moral nem política para tratar de servidores públicos. Seria a raposa legislando sobre as galinhas.

E o vice-governador, portanto substituto da inutilidade, presta-se ao papel do rastejo.

Viva a Paraíba!

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Categoria(s): Opinião
domingo - 15/10/2017 - 07:26h

De Lacerda a Aécio


Por François Silvestre

A política se faz em ciclos, lições e consequências. O grave é que os ciclos não se completam coerentemente, as lições não são apreendidas e as consequências fogem do controle.

Quando o governo Jango chegou às vésperas das eleições presidenciais, marcadas para 1965, o próprio Jango pensava num saída legal para ser candidato. O PSD já lançara, em convenção, a candidatura de Juscelino Kubistchek, e a UDN fizera o mesmo lançando Carlos Lacerda.

Nas paredes dos muros do Brasil havia a chamada do marketing da época: JK-65. Lacerda flutuava favorito, nas pesquisas. E Jango “incendiava” o país com a proposta das reformas de base. Brizola promovia agitação das massas.

Jango fazia o jogo da oposição. Oposição quer instabilidade. O comício da Central do Brasil, no início de Março de 64, foi o pretexto que a Direita precisava para estimular o apoio material, e militar se necessário, dos Estados Unidos, ao golpe de Estado que vinha sendo costurado desde a eleição de JK, em 1955.

A disputa entre americanos e soviéticos, pelo domínio e controle do planeta, punha o Brasil na condição estratégica do interesse do Tio San. Não suportariam uma “grande Cuba”. E era essa a impressão que a Direita demonstrava aos EEUU com as fotos e filmes daquele comício.

Nos quartéis, havia um partido político sem filiação eleitoral. Aqueles generais nunca foram militares, no sentido castrense do termo. Políticos desde que tenentes, nos Anos Vinte; coronéis, nos Anos Quarenta; e generais, nos Anos Sessenta. Políticos e politiqueiros. Só o PSD e a UDN não percebiam isso.

O golpe retirou Jango da disputa e da vida pública. Lacerda participara do núcleo da conspiração. Queria caminho livre. Juscelino apoiou o golpe, depois de consumado, e votou em Castelo Branco, que lhe prometera manter a calendário eleitoral.

Se Castelo fosse militar teria cumprido a promessa. Mas era político, e mentiu. Cassou Juscelino. Lacerda, dessa forma, pensava livrar-se dos únicos candidatos capazes de vencê-lo.

Só que os políticos da caserna tinham outros planos. No segundo governo da Ditadura, Lacerda foi preso e cassado. Para tirar Jango do jogo, Lacerda e Juscelino caíram do cavalo e foram pastar no ostracismo. Sem o apoio deles, a milicada não teria chegado ao poder.

Sem fazer comparação de mérito com o quadro atual, por serem absolutamente distintos, numa coisa há semelhança: A sucessão.

Aécio Neves quase derrota Dilma. Tinha tudo para chegar ao pleito de 2018 na condição de líder inconteste da oposição. Tinha. Passado imperfeito.

A queda de Dilma, acusada de “pedaladas”, mudou o cenário. Primeiro pela fragmentação política da liderança de Aécio, depois pelo seu envolvimento nas mesmas práticas que tanto denunciara.

Pobre de líderes o cenário aposta na mediocridade. Os fanáticos não aposentam os chavões; à direita e à esquerda. Há de tudo, menos Inteligência política e espírito público. Nunca, como agora, a ignorância foi tão atrevida.

Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 13/10/2017 - 20:30h
Opinião

O engasgo da toga?


Por François Silvestre

Já escrevi e repito: Não confundo Magistratura com Poder Judiciário.

Mesmo fazendo parte do Judiciário, a Magistratura não é um poder político. O Judiciário, sim. É um poder com todas as prerrogativas e mumunhas dos Poderes.

A Magistratura se guarda em concursos públicos, com a finalidade constitucional de prover justiça e dirimir conflitos.

O Supremo Tribunal Federal (STF) é o órgão de cúpula do Poder Judiciário. Ninguém chega lá por concurso público. É indicação política do Presidente da República, convalidada por uma “sabatina” do Senado, que mais parece uma Dominguina.

Pois bem. O último julgamento do Supremo (veja AQUI), que deve ter revirado Rui Barbosa na tumba, foi um escancarado arrumadinho político. E os engasgos da Ministra presidenta, com gagueira adquirida, foi um espasmo do Poder Judiciário e não da Magistratura.

Tudo combinado.

Cada um votou com sua “consciência” e o engasgo desengasgou o impasse entre os poderes.

Foi assim, bunitim, bunitim.

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terça-feira - 10/10/2017 - 22:42h
Opinião

A babaquice desmente a lucidez


Por François Silvestre

Essa conversa de que o “povo” brasileiro não confia nos políticos é uma baita mentira. Confia e confia no que há de pior.

O pré-povo do Brasil é a cara lavada dos seus políticos.

Vejamos: Lula é o melhor avaliado nas pesquisas eleitorais. Sem comentário.

Bolsonaro é outro bem avaliado, o que também dispensa comentário de imbecilidade eleitoral.

Pra completar, vem o Dória, prefeito vagabundo de São Paulo. Esse mauricinho nada fez, mas foi eleito prefeito da maior metrópole e virou estrela cadente.

Recebendo título de cidadania de várias capitais por suas câmaras municipais recheadas de imbecis.

Lula, Bolsonaro e Dória.

Num país com um mínimo de educação politica, eles nem seriam cogitados.

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  • Repet
domingo - 08/10/2017 - 07:48h

Espirro interrompido


Por François Silvestre

De todos os nossos “jeitinhos” a democracia que desinventamos é apenas uma brutal violência contra a capacidade inventiva.

O tipo de violência que vivemos é um berçário de terror. Insegurança na monstruosa incompetência do Estado, onipresente na desumanização e ausente no amparo. Tempo de exceção institucional. Criação de serpentes no quintal.

Quando a Ditadura de 64 exauriu-se, apodrecida na lama do sangue que derramou, quis fugir do banco dos réus. E o fez negociando com ex-aliados que abandonavam o barco e com antigos inimigos que tinham pressa em abocanhar o Poder.

Uma aliança dessa natureza não poderia produzir uma ordem institucional séria nem duradoura. E foi o que ocorreu. Uma constituinte, desfigurada pelo congresso constituído, para redigir a Carta Magna das Corporações. Remendada e piorada a cada remendo. Cidadania de retórica e patronato de privilégios.

Aliados antigos e beneficiários do regime decaído assumiram o comando da transição.

Para assegurar sossego ao domínio dessa desordem foi escancarada uma porteira para o estouro das corporações. Castas elevadas à condição de inalcançáveis pelos poderes tradicionais. Se há uma coisa que necessita de tradição é a prática democrática. No Brasil, inovou-se para pior. Negou-se a tradição inaugurada em 1946 e recriou-se a cavilação. Da esperteza nobiliárquica do legalismo, do bacharelismo e do corporativismo “meritocrático”.

Sem falar na manutenção do Jaboticabal da vitaliciedade em cargos de indicação política, sem o concurso exigido na própria Carta. A vitaliciedade só se justifica na Magistratura. Só. Fora disso, é contorcionismo de malandragem.

Repito o que já disse aqui: O constituinte de 88 salvou sua biografia ao prever, no Ato das Disposições Transitórias, uma reforma geral da Carta após cinco anos da sua promulgação. Seria a forma de corrigir equívocos e chamar à ordem o feito que produziu um monstrengo ao calor do afogadilho. Essa reforma recolocaria a redemocratização nos eixos.

Os mesmos que aí estão, ou por seus descendentes, não fizeram a reforma prevista. Atores da mesma peça bufa, da burlesca encenação. Em não sendo feita a reforma, chegou-se à senilidade institucional.

Tudo desaguado nessa democracia de cangalha. Estado Democrático de Exceção.  Confissão pública dos outros Poderes da incapacidade atributiva. O País entregue ao quem sabe e ao talvez. A vida merecendo o risco do talvez e do quem sabe.  Com licença de Alencar Furtado, no discurso libertário. Tempo em que a vida também valia pouco.

Hoje, a vida vale nada! Todo o aparato repressivo volta-se para a defesa do patrimônio “público”. Sem prevenção. Só repressão, ineficiente e inútil. A corrupção faz a festa, dos corruptos e dos seus “combatentes”.

Enquanto as ruas são propriedades dos bandidos e as casas presídios desguardados, nossa democracia fica assim: tipo espirro interrompido.

Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 06/10/2017 - 14:08h
Opinião

Paticracia


Por François Silvestre

É a democracia dos patifes.

Um congresso com mais de um terço sob suspeição ou indiciamento de corrupção, chantagem e propinoduto, ousa mexer, e já mexeu, na legislação trabalhista.

Arrombaram o erário com a corrupção, estrangularam a previdência com fraudes, e dizem que vão salvá-la cobrando dos aposentados, reformando-a.

Acham pouco e querem acabar a estabilidade no serviço público.

O “ilustríssimo” relator da matéria diz que “o projeto permite qualificar o serviço público”. E cadê o projeto de qualificação do senado, inclusive do “ilustre” relator?

O congresso paticrático achou pouco e quer restaurar a censura prévia, sob a cavilosa mentira de controle da internet.

Nós merecemos essa gente!

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Categoria(s): Opinião
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