domingo - 18/06/2017 - 10:26h

Gestão dos resíduos sólidos é um caminho sem volta


Por Gutemberg Dias

Estamos no mês que se comemora a semana do meio ambiente. Atualmente essa temática tem um apelo muito forte no âmbito da gestão pública. Mas será que as gestões locais deram ou dão uma atenção forte a esse segmento?

Mossoró é uma cidade de médio porte já com seu sistema de gestão ambiental consolidado, ou seja, a gestão pública é responsável pelo licenciamento ambiental de vários segmentos e, também, pela fiscalização. Trocando em miúdos, a gestão municipal pode interferir de forma consistente nessa temática, podendo imprimir uma nova dinâmica na concepção do cuidar do meio ambiente.

Digo isso pois acredito que a gestão municipal além de cumprir seu papel no tocante ao licenciamento e fiscalização no âmbito do meio ambiente, ela deveria, também, encontrar soluções para os desafios que as cidades do porte de Mossoró apontam quanto à gestão ambiental do uso do solo.

Depois de grande esforço, técnico e financeiro, o município conseguiu implantar um aterro sanitário que do ponto de vista legal, havia se tornado uma exigência. Com isso foi garantido, em tese, o fechamento do lixão das Cajazeiras que se tornou um fator positivo em relação à melhoria da gestão ambiental do uso solo.

Infelizmente a gestão dos resíduos sólidos urbanos está além da dos resíduos sólidos domésticos. A geração de resíduos sólidos provenientes da construção civil e, também, das podas passou a ser, na atualidade, um grande desafio para a municipalidade. Haja vista que esses resíduos estão sendo descartados em áreas sem o mínimo controle ambiental.

Quem trafega pelas ruas de Mossoró não tem como não se deparar com entulhos provenientes de restos construtivos e, também, restos vegetais provenientes das podas feitas nas residências. Esses resíduos deixam a cidade suja e feia esteticamente, bem como, contribuem para o aumento de vetores como ratos, baratas, pernilongos entre outros, que podem causar doenças à população.

Parte desse problema repousa nos donos das residências que insistem em cometer um crime ambiental ao sujar o meio ambiente e, a outra parte, na gestão municipal que não coíbe essa prática e nem cria os mecanismos necessários para assegurar o descarte correto desses resíduos.

Pelo porte de Mossoró, já está passando da hora de se ter um aterro destinado aos resíduos sólidos da construção civil devidamente licenciado e operacional. Inclusive com perspectiva de se instalar uma usina de reciclagem na área do mesmo. Essa usina poderia vir de uma PPP (Parceria Público-Privado) com os maiores geradores de resíduos ou com alguma empresa que quisesse empreender nessa área, no caso iria transformar o que hoje é refugo em matéria prima novamente. Indago a gestão atual se algo do gênero está sendo pensado?

Vale destacar que com as podas temos os mesmos problemas. Nesse caso é preciso levar em consideração que além dos munícipes que fazem podas em suas residências, a própria prefeitura é responsável, também, pela geração quando é ela executa a poda das árvores nas áreas públicas. Hoje não sei para onde esses resíduos são destinados, lembro que até a gestão da ex-prefeita Fafá Rosado (PMDB), o destino era o antigo lixão das Cajazeiras.

Diante do problema é mister afirmar que estruturar no âmbito da prefeitura um setor que passe a cuidar paulatinamente desse assunto é uma exigência para ontem. Principalmente no que tange a criar todo o processo de regulação da geração, manejo e descarte dos resíduos sólidos da construção civil e das podas, com objetivo de organizar toda a cadeia, que se inicia com o gerador, passa pelas empresas de papa-entulho e termina no descarte final.

Deixo aqui mais uma singela contribuição à atual gestão, a Mossoró e ao seu povo, como tenho feito ao longo de uma série de artigos no Blog Carlos Santos, a convite do seu editor, jornalista Carlos Santos.

Coloco o tema dos resíduos sólidos urbanos na pauta de discussão da gestão ambiental do uso do solo, como esta página já desencadeara através de postagens especiais (veja AQUI) e do também articulista Carlos Duarte. Não podemos simplesmente fechar os olhos para esse problema que só se avoluma ao longo dos anos.

Planejar algo consistente hoje para sanar essa deficiência poderá representar num futuro próximo o cuidado com o meio ambiente, bem como, a geração de uma outra cadeia de valor com a regulação desses resíduos.

Espero que a equipe de meio ambiente e, também, da limpeza urbana pensem foram do quadrado e nos traga boas novas quanto a esse tema.

Gutemberg Dias é graduado em Geografia, mestre em Ciências Naturais e empresário.

Categoria(s): Artigo

Comentários

  1. naide maria rosado de souza diz:

    Muito bem. Contribuição detalhada. Que seja aproveitada pela prefeitura. Receber, gratuitamente, auxílio desse porte é esbarrar na sorte. Dar de cara com ela. Imperdoável deixá -la escapar.
    Gerador – empresa de papa- entulho- descarte final: cadeia traçada.

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