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quarta-feira - 13/09/2017 - 16:42h
Opinião

O belo voto de “um juiz de merda”


Por François Silvestre

O Ministro decano do Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu hoje um voto louvável. Profundo e recheado de informações jusfilosóficas, como do seu hábito, pomposo e belo.

O nome dele é Celso de Melo.

Nunca foi juiz, antes de chegar ao Supremo. Isto é, não é juiz de carreira. É do carreirismo do judiciário distante da Magistratura. Dos quadros do Ministério Público, seu voto é recheado de informações depreciativas sobre quem ousou criticar esse órgão ministerial.

Celso: Sarney sem voto (Foto: STF)

Como chegou ele ao Supremo? Vou contar. Não por conhecimento original meu, mas por quem o colocou no Supremo.

Celso de Melo era um jovem promotor, que Saulo Ramos, advogado do escritório de Vicente Rao e Frederico Marques, levou para a Advocacia da União no governo de José Sarney. Saulo Ramos, advogado de estrelas, inclusive de Roberto Carlos, convenceu Sarney a indicá-lo para o Supremo.

Sarney argumentou que ele era muito jovem. Saulo Ramos argumentou que se ele não fosse indicado naquele momento, na vaga do quinto constitucional do Ministério Público, nunca mais chegaria ao Supremo. Sarney indicou e o nomeou.

Tempos depois, o ex-presidente Sarney, desgastado no Maranhão, decidiu ser senador pelo Amapá. A impugnação de sua candidatura chegou ao Supremo.

Na véspera do julgamento, um jornal paulista deu uma nota informando que Sarney tinha um voto certo. O voto de Celso de Melo. No dia do julgamento, quando chegou a vez de Celso de Melo votar, Sarney já estava vitorioso.

Ele votou contra seus dois padrinhos, Saulo Ramos e Sarney, apoiando a impugnação.

Independência? Não. Safadeza. Naquela madruga, ele, Celso de Melo, ligou para Saulo Ramos e informou: “Professor, o presidente foi vitorioso. Votei contra porque a decisão já estava definida e eu precisei desmentir o jornal de São Paulo; caso contrário teria votado a favor”.

Saulo Ramos pergunta: “Quer dizer que seu voto seria outro, se o resultado chegasse a você de outra forma”? Celso de Melo confirma: “Sim senhor”.

E Saulo Ramos encerra: “Então você é um juiz de merda, que eu pus aí”.

Isso está no livro “Código da Vida”, memórias de Saulo Ramos.

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Categoria(s): Artigo

Comentários

  1. João Claudio diz:

    É verdade. Eu lembro esse episódio.

  2. Paulo Barra Neto diz:

    Valeu Francois, bom seria que os brasileiros todos soubessem como chegaram essas exçelencias as cortes superiores!

  3. fernando diz:

    Tão falando até da velha…..Será que ela é o que estão falando? Foi com Cardoso?

  4. naide maria rosado de souza diz:

    Muito bom, François Silvestre!

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