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domingo - 18/09/2016 - 10:14h

O pré-povo do Brasil


Por François Silvestre

Ao chegarem aqui, os europeus encontraram um povo formado. Esse povo, precariamente denominado indígena, pois imaginavam os “descobridores” que haviam chegado a uma parte da Índia, dividia-se em subgrupos ou tribos. Nos dois primeiros séculos dessa ocupação, os portugueses e seus desafetos só queriam explorar as riquezas.

Dos minerais à madeira. Ambas francas e de fácil expropriação. As relações do indígena com a natureza davam-se de forma tão natural que nem pareciam relações.

Era um processo sem processo. Uma espécie de respiração. Que ocorre indispensavelmente, mas não se nota. Respiração silvícola sem asma.

Gilberto Freire, numa de suas assertivas sobre a participação indígena na formação do “povo” brasileiro, cometeu um equívoco de conclusão após enunciar uma premissa verdadeira.

Darcy Ribeiro

Qual foi a premissa? Ele disse que, nessa formação, a participação da índia fêmea foi predominante e que a contribuição do índio macho foi originalmente nula.

Verdade. Houve acasalamento, desde o início, da índia com o europeu. Sem que houvesse do índio com a europeia. As europeias não vinham pra cá, nesse início de formação. A

conclusão de Freire: “O europeu vinha de um continente com mulheres pudicamente vestidas e aqui encontraram mulheres índias nuas e índios machos frios”.

Essa conclusão é um monstruoso equívoco antropológico. As roupas das mulheres europeias eram um disfarce, incitante da sensualidade, que se derramava em lascívia na alcova. Nada de pudicícia.

O índio macho não era frio. Era natural, cuja sexualidade dispensava o estímulo da erotização. Tanto é verdade que a população indígena era grandiosa e crescente, em todas as partes do Brasil. Começou a declinar após a chegada dos europeus. Freire informou o fato correto, mas concluiu deformando a causa.

Darcy Ribeiro, de escola mais progressista e menos preso a conclusões ligeiras, bebeu na fonte de Freire, mas reformou conceitos. Otimista sobre o futuro da nossa gente, via com alumbramento o povo que essa mistura viria a formar.

E dizia: A naturalidade do índio, somada à tecnologia do europeu e enriquecida com a espiritualidade do africano levará à formação da mais exuberante raça mestiça da humanidade.

Esse era o futuro da nossa formação, no olhar de um pensador orgulhoso da sua gente. Do português; vinham latinos, suevos, celtas, árabes, mouros, judeus, godos, visigodos.

Depois, os imigrantes. Alemães, italianos, japoneses e outros. Do indígena; tupis, nuaruaques, marajoaras, caetés, tupinambás, aimorés, carijós. Do africano; haussás, bantos, moçambicanos.

Fornalha de mestiçagem ímpar. Mas ainda não é um povo. Um pré-povo em processo de formação. Não se forma um povo em tempo curto, que é o nosso tempo de formação.

Aos trancos e barrancos ainda ardemos no forno dessa feitura.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal

Categoria(s): Artigo

Comentários

  1. João Claudio diz:

    ”Mestiçagem ímpar”, e em sua grande maioria, corrupta, desonesta, mal educada e carente de civilidade.

    Se crua está assim, imaginem quando a feitura estiver pronta para ser servida KKKKKKKKKKKKKKK

    Deus nos acuda e salve-se quem puder.

    Pensando bem, é melhor esquecerem a ”coisa” dentro do forno até ela ficar completamente esturricada.

    Como ninguém teve acesso à receita ”Maravilha de Massa Tupiniquim/Resto do Mundo”, quem sabe, quanto mais esturricada, mais ”al dente” ela poderá ficar.

  2. FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO diz:

    O cientista político, sociólogo, antropólogo, filósofo, economista e, em fim, o sabe tudo de todas as coisas Dr. JOÃO CLÁÚDIO em mais uma inequívoca demonstração de bizarrice, estupidez, ignorância, alienação e falta de bom senso, inclusive de humor, quando de mais uma eloqüente investida em seu mundo fascista e farsesco tão manifesto, na alma e no corpo do que o próprio entende como comentários.

    O fato me faz lembrar e muito, do Grande escritor e semiólogo UMBERTO ECO. Pilar internacional de toda uma disciplina, a Semiologia, que marcou os estudos de Comunicação no mundo, Eco também legou à humanidade um imenso e singular legado sobre estudos de estética. Eco foi antes de mais nada um intelectual brilhante e reconhecido por sua obra sobre a estética medieval e sobre a filosofia da arte. Nascido em Alexandria, nas imediações de Turin, em 1932, diplomou-se em Filosofia em 1954 na Universidade de Turin. Sua formação diz muito: discípulo do grande filósofo antifascista Luigi Pareyson, defendeu uma tese de fim de estudos sobre Thomas de Aquino, que seria publicado dois anos mais tarde sobre o nome O Problema Estético em Tomas de Aquino.

    Quanto aos temas relacionados ao desenvolvimento da comunicação e, sobretudo da comunicação em tempo real facultada e disponibilizada à grande massa e à todos quantos queiram emitir suas opiniões sobre os mais diversos temas e assuntos, o escritor italiano nos deixou uma assertiva por demais contundente acerca de grande parcela dos comentaristas e comentários escritos e emitidos através de redes sociais e da internet, vejamos:

    “As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”.
    O que automaticamente, também, me faz lembrar outro escritor russo chamado Leon Tolstoi que tão sabiamente afirmava:

    “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia.”

    No caso do idiota, midiota e rotundo imbecil de aldeia chamado João Cláudio, deveras, denota-se não saber o mesmo, de forma nenhuma pintar sua aldeia, seja em que sentido for e (ou) se aplique à temática supostamente desenvolvida pelo dito Web-leitor e pretenso comentarista.

    Um baraço
    FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO.
    OAB/RN. 7318.

  3. João Claudio diz:

    ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑ ↑

    ”e em sua grande maioria, corrupta, desonesta, MAL EDUCADA e CARENTE DE CIVILIDADE”.

    Eis ai duas das provas cabais.

    A grande revolta e os principais motivos pelos quais TODOS os PTralha$ (sem exceção) saem disparando munições em todas as direções são:

    1) O PULHA e LADRÃO Zé Dir$eu, ainda considerado por ”eles” como ”guerreiro e herói’ KKKKK, está trancafiado, enjaulado, vendo o Sol nascer quadrado todos os dias, sem comunicação com o mundo exterior, comendo quentinha e cagando de cócoras. Para o bem da sociedade honesta, esse elemento tem que permanecer preso por vários e vários anos. Isso é fato, e dói muito.

    2) A tão adorada, ”salve salve a torturada” e ”coração valente”, faz parte da quadrilha, fez parte do mutirão que quebrou as duas pernas da Petrobras, afundou e envergonhou o país no exterior, desempregou milhões de brasileiros, fechou fabricas e comércios, etc. Foi ”impichiada”. Levou um Senhor pé na bunda. Isso é fato, e como dói.

    3) De tanto roubar e insistir em fazer o povo de trouxa, o partido ”deles” tornou-se o mais corrupto e desacreditado do MUNDO. Está se ESFARELANDO de norte a sul do brasil. Isso é fato, e dói demais.

    4) O 2º Messias enviado por Deus; o salvador da pátria; aquele que prometeu acabar com a fome no mundo; aquele que sempre esteve ao lado dos pobres; o sindicalista que virou presidente e o ”comandante máximo” que orquestrou e CHEFIOU a maior quadrilha de BANDIDOS do planeta, DESDE 2003, está com os seus dias de liberdade contados. Se não fugir do país rapidamente, a Jararaca sem Rabo será hóspede permanente do XERIFE. Para ”eles”, além de muita dor, é o fim da picada.

    Eu não defendo e jamais defenderei ladrão porque não sou CONIVENTE com nenhum deles. Muito pelo contrário. Eu meto o cacete em todos. Seja um pé descalço, seja no presidente da republica. Isso é fato e chateia muito os PTralha$, a ponto ”deles” disparem munições em todas as direções.

    Concluindo, eu não sou idiota. Entretanto, eu acho que é melhor ser taxado de idiota que ser taxado de CONIVENTE com uma quadrilha de BANDIDOS.

    Sobre o fato do PTralha furioso fazer constar o numero da OAB em todos os seus comentários:

    a) Isso significa dizer que está fazendo propaganda a procura de clientes neste blog? Eu tenho certeza que não vai conseguir. Dizem que, a porta de uma delegacia é o endereço mais indicado e apropriado.

    b) É uma forma de mostrar aos leitores e comentarista que é… advogado???? E os engenheiros, médicos, odontólogos, professores, escritores e tantos outros profissionais que concluíram o curso superior e comentam aqui todos os dias, por que não fazem o mesmo? Por que não escrevem o nome da sua profissão no roda pé dos comentários? Porque não são RI-DÍ-CU-LOS, claro!

    c) Mas, PTralha$ precisam ser tão ridículos assim? Eu acho que sim, caso contrario, já teriam tomado ”Chá de Simancol”. Inclusive, esse OAB no rodapé nos comentários, já foi motivo de chacota em todos os blog’s da cidade. Isso é fato e ele nunca se mancou, ou melhor, tomou o chá.

    Pensando bem, imagine se o PTralha fosse um engenheiro da NASA. Nooossa! Deus nos acuda.

    Hoje, segunda feira 19, teremos mais novidades sobre o ”comandante máximo” do sub mundo do crime praticado em Corrupinópoles.

    Aguardemos a fala do verdadeiro ”cara”, o XERIFE, o paladino que colocará o cara de… pau atrás das grades.

    É apenas uma questão de tempo.

    Uma dica: aceite, se conforme, doe menos.

  4. naide maria rosado de souza diz:

    François Silvestre. Muitas vezes me acanho em fazer comentários. Segundo os livros de História do Brasil, um dos hábitos que os portugueses absorveram dos índios foi o de tomar banho diariamente.
    Acredito que o excesso de roupas das portuguesas, não tivesse um cunho erótico. As nossas índias tinham cheiro silvestre, as portuguesas de outrora, não. Mesmo os portugueses primeiros deveriam ser um martírio às nossas indígenas, habituadas ao suave odor das flores de laranjeiras. Os índios, sim, tinham sexualidade franca e o agradável cheiro do mato, das plantas. Então, os portugueses tomavam as índias em seu frescor e inexperiência. Os índios, naquele início, não conheciam as portuguesas que não vinham nessas expedições, sendo óbvio que o acasalamento ocorreria entre os portugueses e as índias, estremecendo ou alterando a vida sexual perfeita de nossos primeiros habitantes, verdadeiros donos do Brasil.
    Sim, somos povo em formação. Somos, godos e visigodos, somos bantos e nagôs, somos a bagagem étnica trazida pelo português, descendemos de imigrantes e somos indígenas. Confere, François Silvestre,”Não se forma um povo em tempo curto…ainda ardemos no forno dessa feitura.”

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